Skip to main content

Artistas selecionados pelo Júri do Canela Light Fest:

 

Camille Laurent

Esta artista vem percorrendo o circuito da arte tecnológica a alguns anos em residências artísticas e experimentos coletivos.  Agora a sua produção toma uma forma mais definida, em que prevalece a cidade como suporte maior de suas criações. Ela apresentará a obra “Caminho de Luz”, instalação interativa realizada com tubos de LED, que vai criar um percurso pela praça João Correa e vai convidar o público a contemplar, brincar e movimentar-se.

Interessada nas experiências que a cidade pode oferecer e apresentar a partir de múltiplas leituras, a artista convida o público a “mergulhar na essência da cidade e sentir sua pulsação” bem como vivenciar a poética da paisagem e da vida urbana, que para ela é “um poema em toda a sua beleza e complexidade”.

 

Cauê Maia

Criada por Cauê especialmente para o Canela Light-Fest, a obra “Poema projétil” pretende transformar o espaço público do festival num palco de experimentação visual e poéticas colaborativas. O trabalho partiu da pesquisa com a Bazuca poética, que é um dispositivo artesanal de projeção portátil, que Cauê criou e construiu com materiais reciclados de baixo custo, sustentável e acessível. Nesta obra que será projetada, o público será o maior protagonista, pois poderá manipular o aparelho e “criar projeções em tempo real, de até 10 metros de diâmetro e de um alcance de até 200 metros de distância, diz o artista.   Cauê tem ministrado oficinas com a Bazuca, ensinando e multiplicando a utilização deste meio de projeção sustentável e interativo, que utiliza energia LED de baixo consumo.

 

Hugo- Horácio

A literatura de Ailton Krenac exerce grande influência sobre o pensamento artístico contemporâneo, por pensar as relações com a natureza. No caso da obra “Rio que sonha” trata-se do rio como lugar de sonho que carrega histórias, vivências, mitos e espiritualidade. A busca de novos sentidos para o futuro é um desejo, sonho do artista, que nos propõe refletir por meio da instalação. Materializada a partir de um tecido suspenso em Aquablock, simboliza um rio na praça; o público é “convidado a habitar esse fluxo, sentir-se parte dele”, diz Hugo.

A obra conta com desenhos, grafismos indígenas e recortes, que deixam a luz passar e que contam histórias sobre a pesca, a navegação, os mitos e a relação dos povos originários com as águas. Sob o “rio” suspenso, redes para descansar. Hugo entende que o público “observa as narrativas, mas também se coloca dentro delas, tornando-se um corpo em suspensão, um corpo-rio”. Com a luz que esculpe a paisagem, a percepção do espectador se altera no jogo entre presença e ausência, entre visível e invisível.

 

Isabella Raposo

A artista apresentará a quarta obra da série denominada “Objeto de Sonho”, intitulada “Feminoscópio”. O trabalho apresenta um manequim, boneco interativo, que alude aos primórdios dos dispositivos de cinema ou, melhor dizendo, aos pré-cinemas, rodando um filme de 35 mm dentro da cabeça do manequim, de forma inusitada.

Fascinada pelas poéticas das tecnologias que anteciparam a invenção do cinema e, posteriormente, a forma do cinema tradicional que se afirma a partir dos irmãos Lumiére com o cinematógrafo, em 1895, Isabella tensiona o cinema hegemônico.

Ao construir experimentos a serem manipulados individualmente, ela visa uma interação direta com o usuário. Suas máquinas são desenvolvidas a partir da reapropriação e circulação das tecnologias de imagem em movimento. A artista não se interessa em proporcionar a mesma experiência do cinema tradicional. Ao contrário, sua pesquisa busca novas configurações tecnológicas e afetivas, iluminando variações que podem ter permanecido obscuras ou experimentais.

 

Sara- Ahab

“Araquém”, palavra de origem Tupi significa teia. Trata-se de uma instalação interativa que convida o público a experienciar vínculos invisíveis. Por meio de um sistema de sensoriamento que capta o movimento dos corpos participantes, a obra revela conexões simbólicas entre os presentes e cria uma malha viva de relações.

Inspirada no Xamanismo e na cosmologia dos povos originários, a instalação evoca a ideia de que todos os seres estão interligados por fios invisíveis que partem do umbigo, – primeiro elo entre mãe e filho durante a gestação – portal ancestral de energia.

Cada gesto ativa uma “tabla” em constante transformação, cujo sentido aqui é o de estrutura da teia. Uma trama, o conceito de geometria sagrada, onde dança, presença e tecnologia se entrelaçam. Mais do que uma obra, Araquém é um ritual contemporâneo de escuta, conexão e cocriação.